Quase todo processo recebe apenas o relatório UFDR. A defesa que aceita só esse arquivo está vendo aquilo que a investigação resolveu mostrar. Para identificar nulidades e questionar a prova, é preciso analisar a extração completa, não a versão filtrada.
Iniciar AtendimentoO UFDR é o produto final do Physical Analyzer da Cellebrite. Foi pensado para ser legível: contatos, mensagens, mídia e logs em forma navegável. Mas o que aparece ali é uma curadoria. É o que a ferramenta processou e o operador resolveu incluir.
Os dados brutos do dispositivo ficam em outro lugar. Estão na extração completa, geralmente entregue em um arquivo ZIP do Cellebrite. Sem acesso à extração e aos logs (UFD e UFDX), a defesa lê a narrativa que interessa um dos lados.
Logs, extração e relatório. Três coisas distintas. A defesa só consegue contraditório quando tem acesso aos três.
Registram o processo da extração: ferramenta, perfil aplicado, decodificadores ativados, etapas executadas. Permitem entender como o material foi obtido e o que pode ter sido filtrado durante o processamento.
É a extração propriamente dita. Onde estão os dados brutos do dispositivo, intactos, antes de qualquer tratamento ou filtro. Esse é o material que precisa ser auditado para que a defesa tenha contraditório real.
Versão legível e processada. Mostra o que a ferramenta exibiu ao operador, dentro dos filtros e categorias selecionados. Sem os logs e sem a extração completa, ler só o UFDR é aceitar uma versão filtrada da prova.
A defesa contratou perícia para um processo onde a denúncia citava conversas decisivas no WhatsApp. O UFDR juntado aos autos tinha pouco mais de onze mil mensagens. Quando a extração completa foi requisitada judicialmente, apareceram cinquenta e oito mil.
A diferença não estava em mensagens deletadas. Estava em filtros aplicados durante a geração do UFDR. Contatos não selecionados pelo operador, conversas em grupo marcadas como irrelevantes, anexos que ficaram fora porque a opção de inclusão não foi marcada.
O perito reabriu a extração completa, gerou um novo relatório sem filtros e produziu um parecer técnico apontando milhares de mensagens omitidas. Entre elas, três conversas fundamentais para a tese da defesa, que nunca chegariam aos autos sem a auditoria da extração na camada anterior ao relatório.
Trabalho focado no que realmente muda o rumo do processo. Sem rodeios, sem técnica decorativa.
Comparação entre o UFDR juntado nos autos e a extração completa. Levantamento de tudo o que foi filtrado, omitido ou não exibido pelo relatório.
Análise dos logs (UFD e UFDX), do hash do dispositivo e dos parâmetros de extração. Identificação de pontos de fragilidade técnica utilizáveis em sede recursal.
Reprocessamento da extração em ferramentas forenses. Identificação de artefatos ocultos que fortalecem teses defensivas.
Análise técnica de dez minutos sobre as diferenças entre os logs, a extração e o relatório.
Publicado em 19/01/2026 no canal @peritodigital, duração 9:52.
Quando o UFDR é tratado como sinônimo da extração, a defesa aceita silenciosamente uma versão filtrada do material apreendido. O direito ao contraditório, no campo das provas digitais, exige acesso à extração completa. É nela que estão os dados que o relatório optou por não exibir.
Por muitos anos, vi advogados brilhantes perderem causas não por falta de argumentos, mas por falta de acesso à verdade escondida nos arquivos digitais. E foi ali que entendi meu propósito: traduzir a linguagem das máquinas em estratégias que libertam.
Sou Joaquim Neto, perito digital, mentor de advogados e criador da primeira comunidade de provas digitais para advogados.
Depois de anos mergulhado em investigações, certificações e análises forenses, dedico minha vida à análise de provas técnicas que potencializam o trabalho de advogados e fortalecem teses jurídicas capazes de virar um processo.
Hoje, ajudo advogados a descobrir o que a acusação não quer que eles vejam: os detalhes invisíveis que fazem toda a diferença entre uma condenação e uma absolvição.
Porque, no fim, a justiça depende daquilo que é possível provar e da forma certa de provar.